quinta-feira, 12 de julho de 2012

FISIOLOGIA DO SISTEMA REPRODUTOR EM MULHERES


 A função reprodutiva normal requer a integração precisa dos eventos hormonais envolvendo TRÊS ESTRUTURAS IMPORTANTES: o hipotálamo, a hipófise e os ovários. Esses hormônios  que tem efeitos finais afetando o útero, a vagina e a mama, atuando como órgãos terminais dos efeitos dos esteroides ovarianos.
      O número de oogônias atinge o pico de 7 milhões em aproximadamente 20 semanas de gestação e, ao nascimento, o ovário conta com seu complemento integral de oócitos primários. Cada oócito é circundado por camada de células granulosas que forma o chamado FOLÍCULO PRÉ ANTRAL PRIMÁRIO. Subsequentemente à formação desse folículo, a aquisição de uma camada externa de células da teca resulta na formação de um FOLÍCULO PRÉ ANTRAL SECUNDÁRIO. Esses folículos pré-antrais permanecem em estado quiescente até a puberdade, quando eventos complexos resultam no aumento da ativação do componente hipotalâmico do eixo reprodutivo, manifestado pela secreção do hormônio liberador de gonadotrofina coriônica (GnRH), antigamente denominado hormônio liberador do hormônio luteinizante (LHRH).
      O GnRH estimula a secreção hipofisária do hormônio luteinizante (LH) e do hormônio folículo-estimulante (FSH). LH e FSH, então, estimulam os ovários, resultando no crescimento dos folículos pré-antrais secundários e na ovulação. Embora alguns hormônios de liberação também sejam secretados em pulsos, o GnRH é único porque a estimulação pulsátil do gonadotrofo se faz necessária à síntese e à secreção normal do LH e do FSH, enquanto a infusão contínua do GnRH – ou o uso de um agonista desse hormônio que estimule uma infusão contínua – resulta na modulação negativa da responsividade do gonadotrofo ao GnRH. Essa propriedade é clinicamente utilizada no tratamento de condições hormônio-responsivas, como endometriose e puberdade precoce.



Integração hormonal do ciclo menstrual normal
         O processo de desenvolvimento puberal inclui um período de intensificação sono-associada da secreção pulsátil de LH, que é seguido pelo desenvolvimento do padrão normal de secreção de 24 horas de gonadotrofina e função ovariana cíclica característica dos adultos. Essa sequência de alterações responsável pela função reprodutiva madura é coordenada por uma série de alças de retroalimentação (feedback) negativas e positivas. 
         A função reprodutiva normal requer o funcionamento coordenado de hipotálamo, hipófise e ovários. O hipotálamo secreta o hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH) de forma pulsátil, para estimular a hipófise a secretar hormônio luteinizante (LH) e hormônio folículo-estimulante (FSH). Essas gonadotrofinas estimulam a foliculogênese e a secreção de vários hormônios pelos ovários, incluindo estradiol, progesterona e inibinas A e B. Estradiol e progesterona, por sua vez, afetam o útero e o trato de fluxo de saída. Níveis crescentes de estradiol e progesterona, bem como de inibinas A e B, todos secretados pelos ovários, exercem um feedback negativo que contém a secreção hipotalâmica de GnRH, a responsividade hipofisária ao GnRH ou ambas. Como consequência, há diminuição da secreção de FSH e, em menor extensão, de LH. A supressão da secreção de FSH limita o número de folículos que se desenvolvem e amadurecem, bem como o número de óvulos a serem eventualmente ovulados. Os níveis de estradiol atingem um limiar crítico, sinalizando para que ocorra a onda pré-ovulatória de gonadotrofinas.1 Em modelos animais, também se observa o envolvimento do hipotálamo nesta etapa, entretanto, seu papel é menos claro nas mulheres. A troca do feedback negativo para o feedback positivo ainda é pouco compreendida, no entanto, sabe-se que está relacionada à duração e ao nível de exposição ao estradiol e, em menor extensão, à progesterona secretada por um folículo ovariano maduro.











         A função do ciclo menstrual normal pode ser dividida em FASE FOLICULAR e FASE LÚTEA.   
         Na fase folicular, que começa no primeiro dia de menstruação, um grupo de folículos ovarianos é recrutado para sofrer crescimento ativo, sob influência dos níveis crescentes de FSH.3 Esse grupo de folículos produz estradiol e inibina B. A inibina B parece ser um marcador do número de células funcionais da granulosa. O LH é necessário para estimular a produção dos precursores de androgênio pelas células tecais. Esses precursores de androgênios se difundem através da membrana basal para dentro das células da granulosa, onde são aromatizados a estradiol sob controle do FSH. Um folículo dominante emerge, sendo possível distingui-lo por seu tamanho, maior responsividade ao FSH e concentrações mais altas de estradiol e inibina A.

         Os níveis crescentes de estradiol secretados pelo folículo em desenvolvimento são responsáveis pelas alterações proliferativas que ocorrem no endométrio. O aumento exponencial dos níveis de estradiol também estimula uma onda de LH (além de uma onda menor de FSH), que desencadeia o recomeço da meiose no oócito, a ruptura do folículo ou ovulação, e a luteinização das células da granulosa.
         A fase lútea (ou pós-ovulatória) começa imediatamente após a ovulação, com a formação do corpo lúteo a partir do folículo rompido. Progesterona e inibina A são produzidas a partir das células da granulosa luteinizada, que também continuam a aromatizar precursores de androgênio derivados da teca e, assim, produzem estradiol. Juntos, estrogênio e progesterona produzem as alterações secretórias endometriais necessárias à implantação. Embora o corpo lúteo seja mantido pela secreção de LH, sua sensibilidade a esse hormônio diminui ao longo do tempo. Com o fim do corpo lúteo, o suporte hormonal para o endométrio declina. As alterações vasculares ocorridas no endométrio resultam de inflamação ou de hipóxia e isquemia local, com consequente liberação de citocinas, morte celular e extravasamento de sangue para dentro da cavidade uterina resultando em sangramento vaginal.




         
         Quando a concepção ocorre, o corpo lúteo é “resgatado” pela gonadotrofina coriônica humana (hGC), que é produzida pelo trofoblasto. A hGC se liga aos receptores de LH presentes no corpo lúteo, mantendo a produção de hormônio esteroide e prevenindo a involução do corpo lúteo. O corpo lúteo é essencial à manutenção da gravidez durante as primeiras 6 a 10 semanas, até que a placenta assuma o controle da produção de esteroides.  


Extraído do Artigo original: Hall JE. Normal and abnormal menstruation. ACP Medicine. 2008;1-14.

Nenhum comentário:

Postar um comentário