PARTO
VAGINAL e PARTO POR CESARIANA
Introdução
A ciência
médica do nascimento é chamada de obstetrícia e o médico especializado no
atendimento ao parto é o obstetra
sendo que a especialidade médica que integra essa sub-especialidade é a
"Ginecologia e Obstetrícia".
Existem duas
modalidades básicas de parto que chamarei de Parto Vaginal e de Parto por
Cesariana e já adianto que, na minha opnião, não existe um que seja melhor ou
pior. Ambos tem suas particularidades, seus problemas e suas vantagens que
devem ser individualizados em cada situação, para cada paciente e por isso digo
que é impossível categorizar um ou outro como melhor ou pior. Mas volto a
dizer, essa é minha opnião.
Vamos
entender agora algumas particularidades de cada um e vamos colocar algumas
vantagens e desvantagens de cada um para que com um pouco mais de esclarecimentos
vocês possam entender o porque de escolher um ou outro.
PARTO
VAGINAL
O parto vaginal também pode ser dividido em parto com auxílio de
instrumentos, também chamado de PARTO FÓRCIPE e sem auxílio de instrumentos
para extração do bebê, que é o chamado PARTO NORMAL.
Por definição segundo a FEBRASGO, publicado no Projeto Diretrizes em
2001, a paciente deve ser considerada em trabalho de parto ativo quando ela
apresentar entre 1 e 3 contrações regulares de pelo menos 30 segundos a cada 5
minutos associado a dilatação do colo do útero maior ou igual a 3 centímetros,
com colo fino e apagado (o termo médico seria “esvaecido”).
Os partos vaginais tecnicamente são divididos em 4 fases ou períodos ,
que devem acontecer na seguinte ordem em que são descritos abaixo.
1)
Primeiro período do parto - período de dilatação
Um parto
humano típico começa com o início da primeira fase do parto: contrações do
útero, inicialmente com frequência de 2 a 3 em cada 10 minutos e com duração
aproximada de 40 segundos em cada contração.
As
contrações vão se intensificando no decorrer do trabalho de parto podendo
chegar a uma frequência de 5 contrações a cada 10 minutos e duração clínica de
70 segundos cada contração no chamado período expulsivo. Essas contrações são
importantes para proporcionar a dilatação do colo do útero e a descida do bebê
afim de que ele possa nascer.
No período expulsivo, a segunda fase, somam-se as contrações uterinas
aos esforços expulsivos voluntários da mãe.
A duração do
trabalho de parto varia imensamente mas em média dura cerca de 10 horas, sendo
um pouco mais demorado nas mulheres parindo pela primeira vez (primíparas) e um
pouco mais rápido nas mulheres que já pariram anteriormente (multíparas).
Segunda
fase do parto - período expulsivo
A segunda
fase do parto inicia com a cérvix completamente dilatada (10 cm) e termina
com a expulsão fetal. Nessa fase é importantíssimo a ajuda da mãe para que se
possa realizer a expulsão fetal. Novas forças, agora realizadas voluntariamente
pela mãe, começam a atuar.
A contração
da musculatura do diafragma
e da parede abdominal que associados as contrações comprimem o útero de cima
para baixo e da frente para trás e assim o bebê é expelido. O bebé usualmente
nasce de cabeça, a chamada apresentação cefálica. Em alguns casos ocorre a
apresentação dos pés ou nádegas primeiro (apresentação pélvica)
Ao final da
gravidez a apresentação fetal mais comum é a cefálica, nas seguintes
proporções:
▪
95%
com apresentação cefálica (“cabeça para baixo”)
▪
4%
com apresentação pélvica (“sentado”)
▪
1%
com apresentação transversa (“de ombro”)
A criança
então após sua saída e o clampeamento e secção do cordão umbilical é entregue
ao Médico Neonatologista que dará os primeiros socorros ao Recém Nascido e o estado
médico da criança é avaliado através da escala de Apgar, baseada
em cinco parâmetros e podendo receber notas que somadas podem variar de zero a 10, mas isso
será motivo para uma futura discusão.
3) Terceira
fase - Terceiro período, secundamento ou dequitação placentária
A terceira
fase do parto compreende ao desprendimento, descida e expulsão da placenta e das membranas. Ocorre entre 5 a 30 minutos após término do período expulsivo.
Ocorre pelas contrações uterinas que diminuem o volume do útero e
consequentemente aumentam a espessura da parede muscular, causando o descolamento
placentário e a consequente expulsão da placenta.
4) Quarta
fase - período de Greenberg
O período de
Greenberg imediato corresponde à primeira hora depois da saída da placenta. É
de fundamental importância nos processos hemostáticos (impedir o sangramento
excessivo). Durante esse período há a possibilidade maior de ocorrerem grandes
hemorragias.
Os mecanismos
que coibem o sangramento do pós-parto são:
▪
Miotamponamento:
inicia-se imediatamente depois da saída da placenta e consiste na contração
potente da musculatura uterina, tamponando (“fechando”) a saída dos vasos
sanguíneos que irrigavam a placenta. Se este mecanismo não ocorrer de forma
adequada, há a chamada "hipotonia uterina", que pode resultar em
sangramentos excessivos e coloca a vida da mulher em risco.
▪
Trombotamponamento:
depende da formação de pequenos coágulos (trombos) que obliteram vasos
uteroplacentários.
Após 1ª hora
o útero apresenta-se em condições normais, firmemente contraído completando
assim o mecanismo de hemostasia.
Principais
Vantagens do parto Normal
▪
A
recuperação é rápida, o que possibilita o retorno às atividades rotineiras com maior rapidez
▪
Dor
pós-parto em cólica leve ou moderada como uma cólica menstrual.
▪
A
cada parto normal, o trabalho de parto é mais fácil do que no anterior
▪
O
relaxamento da musculatura pélvica não altera em nada o desempenho sexual
▪
A
mulher participa ativamente do nascimento do filho
Desvantagens
do parto Normal
▪
Período
de Trabalho de parto pode ser demorado o que gera muita ansiedade por parte
tanto da mãe quanto dos acompanhantes que muitas vezes não sabem como está
evoluindo pois estão distantes, na sala de espera da maternidade, sem contato
direto com a paciente;
▪
Dores
são fortíssimas e muitas vezes acabam sendo intoleradas pelas pacientes
▪
Possíveis
danos às estruturas da pelve, do períneo, da uretra e ânus, principalmente
quando mal assistidos;
▪
Incontinência
urinária e fecal;
▪
Dor
no períneo, em casos de episiotomia e laceração.
A episiotomia
é um corte que se faz na região do períneo afim de facilitar a saída / expulsão
fetal e de evitar a laceração.
▪ Muitas vezes o trabalho de parto pode se
iniciar em momentos em que o médico que acompanhou a paciente no Pré Natal não
possa acompanhar a paciente, devido não acontecer com planejamento, mas sim
acontecer quando tem que acontecer e assim a paciente acaba precisando ser
acompanhada por um “desconhecido.
A maior parte
dos danos ocorridos durante o parto normal é causado pela má condução do mesmo,
especialmente quando são utilizadas manobras e intervenções desnecessárias, ou
mesmo quando não são feitas quando necessárias.
O
parto normal deve ser o mais natural possível! Mas sem invenções, estripulias
ou irresponsabilidades.
Sempre que
possível o parto deve acontecer sem intervenções. O ambiente deve respeitar a
privacidade e as escolhas da gestante. Por exemplo pode ser indicado reduzir
ruídos e luminosidade no local do parto, permitir que a parturiente caminhe,
ingira líquidos e indique quem irá acompanhá-la.
Além disso, é
necessário possibilitar que a mulher adote as posições que a façam se sentir
melhor – no momento da expulsão, por exemplo, a posição verticalizada pode
facilitar o nascimento, por ser mais fisiológica para mãe e bebê.
Um parto
natural, realizado sem intervenções e preferencialmente em posição que ajude à
saída do bebê (cócoras, por exemplo) dificilmente causará qualquer tipo de
consequencia negativa.
Indicações
Três fatores
devem ser levados em consideração para determinar a possibilidade ou não do
parto normal:
▪
Bacia
(quadril) ou também chamada trajeto do parto,
▪
Força
das contrações uterinas e o próprio feto.
▪
Caso
não haja nenhuma intercorrência na gestação, pré-parto e trabalho de parto.
Se estes
fatores forem bem proporcionados, a probabilidade de parto normal é grande.
Riscos
do Parto Vaginal
▪
Risco
de ruptura do útero durante o trabalho de parto caso este tenha sido submetida
a uma cirúrgia anteriormente - como cesariana ou miomectomia (cerca de 0,5% de
risco);
▪
Mortalidade
maternal e neonatal quando não assistidos adequadamente e por profissionais
devidamente treinados
▪
Prolapso
anal;
▪
Topoalgia
perineal.
Principais vantagens
do Parto por Cesariana
▪
O
nascimento é menos demorado;
▪
Mãe
pode decidir quando será o nascimento, ele pode ser planejado;
▪
É
realizada no mesmo dia da internação, a paciente se dirige ao hospital horas
antes do horário agendado para o parto e interna, segue ao centro cirúrgico e
no horário agendado o parto é realizado;
▪
A
mulher não sente dores durante o processo devido à anestesia;
▪
Ter
garantida a disponibilidade do médico que a acompanhou durante o pré-natal.
Desvantagens
da cirurgia cesárea
▪
Recuperação
mais lenta do que no parto normal;
▪
Na
recuperação a mulher pode sentir mais dores pelo corte da cirurgia, receio de
evacuar e sensação de os pontos se abrirem.
▪
A
mãe não participa ativamente do nascimento
▪
Atraso
na lactação
▪
Risco
de morte da mãe é maior do que no parto normal pelo risco cirurgico;
▪
Risco
de infecção, inflamação, perda do útero, hemorragia
▪
Aumenta
as chances de sofrer novas ceráseas nos nascimentos seguintes
▪
O
útero fica com uma cicatriz em seu músculo que é sempre um ponto mais frágil,
sob o risco de rupture num possível trabalho de parto futuro;
▪
O
bebê não é comprimido durante a cesárea e ele têm maior risco de ter
desconforto para respirar após ser extraído.
▪
A
mulher deve ficar sem pegar peso e fazer esforço físico nem ginástica por pelo
menos 2 meses após a cirurgia;
▪
Possíveis
cirurgias pélvicas futuras, como de miomas por exemplo, podem ser mais complicadas
devido às aderências e às cirurgias anteriores;
▪
Qualquer
operação cirúrgica pode trazer complicações à saúde, o que pode prejudicar a
disposição sexual;
Riscos
▪
A
probabilidade de haver uma hemorragia é 10 vezes maior do que em um parto
normal;
▪
A
possibilidade de depressão pós-parto da mulher é 30 a 40 vezes maior do que no
parto normal;
▪
Problemas
com a incisão cirúrgica e anemia;
▪
Riscos
da anestesia (p.ex.: choque anafilático);
▪
Riscos
maiores de doenças respiratórias no RN;
▪
Risco
de desencadeamento de trombose em membros inferiores.
Complicações
Ocasionalmente
surgem complicações durante o trabalho de parto; usualmente, requerem manejo
por parte do médico de obstetra.
▪ "Não progressão do trabalho de
parto" (longo tempo de contrações na fase ativa do trabalho de parto sem
dilatação satisfatória do colo uterino) geralmente é tratada com correção de
dinâmica via gel de prostaglandina
ou preparação intravenosa de
ocitocina sintética.
Estando mãe e bebê em boas condições pode-se aguardar, porém em situações
adversas (ou caso as intervenções não funcionem) uma cesariana pode ser
necessária.
▪ Sofrimento fetal
é definido por um padrão não tranquilizador da frequência cardíaca fetal
intraparto. A bradicardia - como é chamada - isoladamente não constitui
sofrimento fetal, outros fatores como a acidez sanguínea podem ser avaliadas
antes de optar por uma intervenção.
▪
Não
progressão da expulsão
(a cabeça, ou parte que se apresente primeiro, não é expulsa apesar das
contrações): isto pode determinar intervenções como mudança de posição materna,
manobras, versões internas, extração a vácuo,
extração a
fórceps e em último caso cesariana.
No passado e
hoje as causas de morbidade e mortalidade materna são basicamente as mesmas:
hemorragia, hipertensão e infecção, e não estão relacionaas à via de parto e
sim à sua condução.
▪
Hemorragia
durante ou após o nascimento é potencialmente fatal em lugares sem acesso a um
alto nível de cuidado de emergência. Severas perdas de sangue podem causar choque
hipovolêmico, isto é, perfusão insuficiente dos órgãos vitais e que
pode levar à morte se não for imediatamente tratada por estancamento da
hemorragia e transfusão sangüínea.
Segue abaixo link para um vídeo bem interessante do Youtube que mostra
esquematicamente como acontecem os dois tipos de parto e que ainda no final da
uma breve demonstração de como acontece o desenvolvimento dos bebês no decorrer
das gestações.
Vale ressaltar que o video não é de minha autoria,
estando todos os méritos devidos ao produtor do mesmo.
Espero que tenham gostado e que seja muito esclarecedor. Qualquer dúvida podem me encaminhar as perguntas no espaço para perguntas abaixo.
Obrigado por participar deste Blog.




