segunda-feira, 24 de setembro de 2012

PARTO NORMAL OU PARTO POR CESARIANA?


PARTO VAGINAL e PARTO POR CESARIANA


Introdução
A ciência médica do nascimento é chamada de obstetrícia e o médico especializado no atendimento ao parto é o obstetra sendo que a especialidade médica que integra essa sub-especialidade é a "Ginecologia e Obstetrícia".
Existem duas modalidades básicas de parto que chamarei de Parto Vaginal e de Parto por Cesariana e já adianto que, na minha opnião, não existe um que seja melhor ou pior. Ambos tem suas particularidades, seus problemas e suas vantagens que devem ser individualizados em cada situação, para cada paciente e por isso digo que é impossível categorizar um ou outro como melhor ou pior. Mas volto a dizer, essa é minha opnião.
Vamos entender agora algumas particularidades de cada um e vamos colocar algumas vantagens e desvantagens de cada um para que com um pouco mais de esclarecimentos vocês possam entender o porque de escolher um ou outro.

PARTO VAGINAL
O parto vaginal também pode ser dividido em parto com auxílio de instrumentos, também chamado de PARTO FÓRCIPE e sem auxílio de instrumentos para extração do bebê, que é o chamado PARTO NORMAL.
Por definição segundo a FEBRASGO, publicado no Projeto Diretrizes em 2001, a paciente deve ser considerada em trabalho de parto ativo quando ela apresentar entre 1 e 3 contrações regulares de pelo menos 30 segundos a cada 5 minutos associado a dilatação do colo do útero maior ou igual a 3 centímetros, com colo fino e apagado (o termo médico seria “esvaecido”).

Os partos vaginais tecnicamente são divididos em 4 fases ou períodos , que devem acontecer na seguinte ordem em que são descritos abaixo.

1) Primeiro período do parto - período de dilatação
Um parto humano típico começa com o início da primeira fase do parto: contrações do útero, inicialmente com frequência de 2 a 3 em cada 10 minutos e com duração aproximada de 40 segundos em cada contração.
As contrações vão se intensificando no decorrer do trabalho de parto podendo chegar a uma frequência de 5 contrações a cada 10 minutos e duração clínica de 70 segundos cada contração no chamado período expulsivo. Essas contrações são importantes para proporcionar a dilatação do colo do útero e a descida do bebê afim de que ele possa nascer.
 No período expulsivo, a segunda fase, somam-se as contrações uterinas aos esforços expulsivos voluntários da mãe.
A duração do trabalho de parto varia imensamente mas em média dura cerca de 10 horas, sendo um pouco mais demorado nas mulheres parindo pela primeira vez (primíparas) e um pouco mais rápido nas mulheres que já pariram anteriormente (multíparas).

Segunda fase do parto - período expulsivo
A segunda fase do parto inicia com a cérvix completamente dilatada (10 cm) e termina com a expulsão fetal. Nessa fase é importantíssimo a ajuda da mãe para que se possa realizer a expulsão fetal. Novas forças, agora realizadas voluntariamente pela mãe, começam a atuar.
A contração da musculatura do diafragma e da parede abdominal que associados as contrações comprimem o útero de cima para baixo e da frente para trás e assim o bebê é expelido. O bebé usualmente nasce de cabeça, a chamada apresentação cefálica. Em alguns casos ocorre a apresentação dos pés ou nádegas primeiro (apresentação pélvica)



Ao final da gravidez a apresentação fetal mais comum é a cefálica, nas seguintes proporções:
                95% com apresentação cefálica (“cabeça para baixo”)
                4% com apresentação pélvica (“sentado”)
                1% com apresentação transversa (“de ombro”)

A criança então após sua saída e o clampeamento e secção do cordão umbilical é entregue ao Médico Neonatologista que dará os primeiros socorros ao Recém Nascido e o estado médico da criança é avaliado através da escala de Apgar, baseada em cinco parâmetros e podendo receber notas que somadas podem variar de zero a 10, mas isso será motivo para uma futura discusão.

3) Terceira fase - Terceiro período, secundamento ou dequitação placentária
A terceira fase do parto compreende ao desprendimento, descida e expulsão da placenta e das membranas. Ocorre entre 5 a 30 minutos após término do período expulsivo. Ocorre pelas contrações uterinas que diminuem o volume do útero e consequentemente aumentam a espessura da parede muscular, causando o descolamento placentário e a consequente expulsão da placenta.

4) Quarta fase - período de Greenberg
O período de Greenberg imediato corresponde à primeira hora depois da saída da placenta. É de fundamental importância nos processos hemostáticos (impedir o sangramento excessivo). Durante esse período há a possibilidade maior de ocorrerem grandes hemorragias.
Os mecanismos que coibem o sangramento do pós-parto são:
   Miotamponamento: inicia-se imediatamente depois da saída da placenta e consiste na contração potente da musculatura uterina, tamponando (“fechando”) a saída dos vasos sanguíneos que irrigavam a placenta. Se este mecanismo não ocorrer de forma adequada, há a chamada "hipotonia uterina", que pode resultar em sangramentos excessivos e coloca a vida da mulher em risco.

   Trombotamponamento: depende da formação de pequenos coágulos (trombos) que obliteram vasos uteroplacentários.

Após 1ª hora o útero apresenta-se em condições normais, firmemente contraído completando assim o mecanismo de hemostasia.


Principais Vantagens do parto Normal
   A recuperação é rápida, o que possibilita o retorno às atividades rotineiras com maior rapidez
   Dor pós-parto em cólica leve ou moderada como uma cólica menstrual.
   A cada parto normal, o trabalho de parto é mais fácil do que no anterior
   O relaxamento da musculatura pélvica não altera em nada o desempenho sexual
   A mulher participa ativamente do nascimento do filho


Desvantagens do parto Normal
   Período de Trabalho de parto pode ser demorado o que gera muita ansiedade por parte tanto da mãe quanto dos acompanhantes que muitas vezes não sabem como está evoluindo pois estão distantes, na sala de espera da maternidade, sem contato direto com a paciente;
   Dores são fortíssimas e muitas vezes acabam sendo intoleradas pelas pacientes
   Possíveis danos às estruturas da pelve, do períneo, da uretra e ânus, principalmente quando mal assistidos;
   Incontinência urinária e fecal;
   Dor no períneo, em casos de episiotomia e laceração.
A episiotomia é um corte que se faz na região do períneo afim de facilitar a saída / expulsão fetal e de evitar a laceração.


   Muitas vezes o trabalho de parto pode se iniciar em momentos em que o médico que acompanhou a paciente no Pré Natal não possa acompanhar a paciente, devido não acontecer com planejamento, mas sim acontecer quando tem que acontecer e assim a paciente acaba precisando ser acompanhada por um “desconhecido.

A maior parte dos danos ocorridos durante o parto normal é causado pela má condução do mesmo, especialmente quando são utilizadas manobras e intervenções desnecessárias, ou mesmo quando não são feitas quando necessárias.
O parto normal deve ser o mais natural possível! Mas sem invenções, estripulias ou irresponsabilidades.
Sempre que possível o parto deve acontecer sem intervenções. O ambiente deve respeitar a privacidade e as escolhas da gestante. Por exemplo pode ser indicado reduzir ruídos e luminosidade no local do parto, permitir que a parturiente caminhe, ingira líquidos e indique quem irá acompanhá-la.
Além disso, é necessário possibilitar que a mulher adote as posições que a façam se sentir melhor – no momento da expulsão, por exemplo, a posição verticalizada pode facilitar o nascimento, por ser mais fisiológica para mãe e bebê.
Um parto natural, realizado sem intervenções e preferencialmente em posição que ajude à saída do bebê (cócoras, por exemplo) dificilmente causará qualquer tipo de consequencia negativa.

Indicações
Três fatores devem ser levados em consideração para determinar a possibilidade ou não do parto normal:
   Bacia (quadril) ou também chamada trajeto do parto,
   Força das contrações uterinas e o próprio feto.
   Caso não haja nenhuma intercorrência na gestação, pré-parto e trabalho de parto.

Se estes fatores forem bem proporcionados, a probabilidade de parto normal é grande.

Riscos do Parto Vaginal
   Risco de ruptura do útero durante o trabalho de parto caso este tenha sido submetida a uma cirúrgia anteriormente - como cesariana ou miomectomia (cerca de 0,5% de risco);
   Mortalidade maternal e neonatal quando não assistidos adequadamente e por profissionais devidamente treinados
   Prolapso anal;
   Topoalgia perineal.

Principais vantagens do Parto por Cesariana
   O nascimento é menos demorado;
   Mãe pode decidir quando será o nascimento, ele pode ser planejado;
   É realizada no mesmo dia da internação, a paciente se dirige ao hospital horas antes do horário agendado para o parto e interna, segue ao centro cirúrgico e no horário agendado o parto é realizado;
   A mulher não sente dores durante o processo devido à anestesia;
   Ter garantida a disponibilidade do médico que a acompanhou durante o pré-natal.



Desvantagens da cirurgia cesárea
   Recuperação mais lenta do que no parto normal;
   Na recuperação a mulher pode sentir mais dores pelo corte da cirurgia, receio de evacuar e sensação de os pontos se abrirem.
   A mãe não participa ativamente do nascimento
   Atraso na lactação
   Risco de morte da mãe é maior do que no parto normal pelo risco cirurgico;
   Risco de infecção, inflamação, perda do útero, hemorragia
   Aumenta as chances de sofrer novas ceráseas nos nascimentos seguintes
   O útero fica com uma cicatriz em seu músculo que é sempre um ponto mais frágil, sob o risco de rupture num possível trabalho de parto futuro;
   O bebê não é comprimido durante a cesárea e ele têm maior risco de ter desconforto para respirar após ser extraído.
   A mulher deve ficar sem pegar peso e fazer esforço físico nem ginástica por pelo menos 2 meses após a cirurgia;
   Possíveis cirurgias pélvicas futuras, como de miomas por exemplo, podem ser mais complicadas devido às aderências e às cirurgias anteriores;
   Qualquer operação cirúrgica pode trazer complicações à saúde, o que pode prejudicar a disposição sexual;

Riscos
   A probabilidade de haver uma hemorragia é 10 vezes maior do que em um parto normal;
   A possibilidade de depressão pós-parto da mulher é 30 a 40 vezes maior do que no parto normal;
   Problemas com a incisão cirúrgica e anemia;
   Riscos da anestesia (p.ex.: choque anafilático);
   Riscos maiores de doenças respiratórias no RN;
   Risco de desencadeamento de trombose em membros inferiores.

Complicações
Ocasionalmente surgem complicações durante o trabalho de parto; usualmente, requerem manejo por parte do médico de obstetra.
       "Não progressão do trabalho de parto" (longo tempo de contrações na fase ativa do trabalho de parto sem dilatação satisfatória do colo uterino) geralmente é tratada com correção de dinâmica via gel de prostaglandina ou preparação intravenosa de ocitocina sintética. Estando mãe e bebê em boas condições pode-se aguardar, porém em situações adversas (ou caso as intervenções não funcionem) uma cesariana pode ser necessária.

       Sofrimento fetal é definido por um padrão não tranquilizador da frequência cardíaca fetal intraparto. A bradicardia - como é chamada - isoladamente não constitui sofrimento fetal, outros fatores como a acidez sanguínea podem ser avaliadas antes de optar por uma intervenção.

       Não progressão da expulsão (a cabeça, ou parte que se apresente primeiro, não é expulsa apesar das contrações): isto pode determinar intervenções como mudança de posição materna, manobras, versões internas, extração a vácuo, extração a fórceps e em último caso cesariana.
No passado e hoje as causas de morbidade e mortalidade materna são basicamente as mesmas: hemorragia, hipertensão e infecção, e não estão relacionaas à via de parto e sim à sua condução.
        Hemorragia durante ou após o nascimento é potencialmente fatal em lugares sem acesso a um alto nível de cuidado de emergência. Severas perdas de sangue podem causar choque hipovolêmico, isto é, perfusão insuficiente dos órgãos vitais e que pode levar à morte se não for imediatamente tratada por estancamento da hemorragia e transfusão sangüínea.


Segue abaixo link para um vídeo bem interessante do Youtube que mostra esquematicamente como acontecem os dois tipos de parto e que ainda no final da uma breve demonstração de como acontece o desenvolvimento dos bebês no decorrer das gestações.


Vale ressaltar que o video não é de minha autoria, estando todos os méritos devidos ao produtor do mesmo.

Espero que tenham gostado e que seja muito esclarecedor. Qualquer dúvida podem me encaminhar as perguntas no espaço para perguntas abaixo.

Obrigado por participar deste Blog.

3 comentários:

  1. Gostei da explicação,tive dois partos cesarias,e o primeiro não era da minha vontade,eu sinto muita saudade de nao ter tido trabalho de parto.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Ana, o trabalho de parto em si ajuda a maturação final do bebê, mas nem sempre consegue se chegar ao final dele. Precisa ver por quais motivos que você não entrou em trabalho de parto e porque acabou optando por cesariana. Não fique frustrada. O que mais importa no final das contas é ter seu filho saudável no seu colo, não é mesmo?! Obrigado por participar.

      Excluir
  2. Boa tarde,

    Ano passado fiz uma miomectomia e hj estou gravida de 37 semanas e 5 dias queria saber se ha algum risco se eu optar por parto normal

    ResponderExcluir